SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
Surdocegueira
é uma condição que apresenta outras dificuldades além daquelas causadas pela
cegueira e pela surdez. O termo hifenizado indica uma condição que somaria as
dificuldades da surdez e da cegueira. A palavra sem hífen indicaria uma
diferença, uma condição única e o impacto da perda dupla é multiplicativo e não
aditivo.
Para McInnes (1999), a premissa básica é que a
surdocegueira é uma deficiência única que requer uma abordagem específica para
favorecer a pessoa com surdocegueira e um sistema para dar este suporte. O
referido autor subdivide as pessoas com surdocegueira em quatro categorias:
·
Indivíduos
que eram cegos e se tornaram surdos;
·
Indivíduos
que eram surdos e se tornaram cegos;
·
Indivíduos
que se tornaram surdocegos, indivíduos que nasceram ou
adquiriram
surdocegueira precocemente, ou seja, não tiveram a oportunidade de desenvolver
linguagem, habilidades comunicativas ou cognitivas nem base conceitual sobre a
qual possam construir uma compreensão de mundo.
São
consideradas pessoas com deficiência múltipla aquelas que "têm mais de uma
deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes
grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam,
mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento
social" (MEC/SEESP, 2002).
Deficiência
Múltipla no Brasil, pode ocorrer como:
·
Física e Psíquica
·
Sensorial e Psíquica
·
Sensorial e Física
·
Física, Psíquica e
Sensorial
A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica
surdocega não recebe as informações sobre o que está sua volta de maneira
fidedigna, ela precisa da mediação de comunicação para poder receber,
interpretar e conhecer o que lhe cerca.
Seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos
canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico,
proprioceptivo e vestibular.
Na deficiência múltipla não garantimos que todas as
informações muitas vezes chegam para a pessoa de forma fidedigna, mas ela
sempre terá o apoio de um dos canais distantes (visão e ou audição) como ponto
de referência, esses dois canais são responsáveis pela maioria do conhecimento
que vamos adquirindo ao longo da vida.
As
pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla, que não apresentam graves
problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos. Isso para servir como
tentativa de minorar as eventuais estereotipias motoras e pela necessidade do
uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema estruturado de comunicação.
Mesmo
quando a deficiência predominante não é na área intelectual, todo trabalho com
o aluno com deficiência múltipla e com surdocegueira implica em constante
interação com o meio ambiente. Este processo interacional é prejudicado quando
as informações sensoriais e a organização do esquema corporal são deficitárias.
Prever a estimulação e a organização desses meios de interação com o mundo deve
fazer parte do Plano de AEE.
Para as pessoas com surdocegueira e/ou com deficiência múltipla
dividimos a comunicação em Receptiva e Expressiva, para favorecer a eficiência
da transmissão e interpretação.
A comunicação receptiva ocorre quando alguém recebe
e processa a informação dada por meio de uma fonte e forma (escrita, fala,
Libras e etc). A informação pode ser recebida por meio de uma pessoa, radio ou
TV, objetos, figuras, ou por uma variedade de outras fontes e formas. No
entanto, comunicação receptiva requer que a pessoa que está recebendo a
informação forme uma interpretação que seja equivalente com a mensagem de quem
enviou tentou passar.
A comunicação expressiva requer que um comunicador
(pessoa que comunica) passe a informação para outra pessoa. Comunicação
expressiva pode ser realizada por meio do uso de objetos, gestos, movimentos
corporais, fala, escrita, figuras, e muitas outras variações.
São
utilizadas estratégias para a aquisição da comunicação, entre elas temos:
· Caixa de antecipação: qualquer objeto
que permita guardar
os
objetos de referências de pessoas, ações, locais que começam a ter significado
para a criança.
· Objetos de Referência: São objetos que têm
significados especiais
associados a eles, pois servem para comunicar sobre diversas situações.
Eles tem a função de substituir a palavra, assim
podem representar pessoas, objetos, lugares, atividades ou conceitos.
Possibilitam um distanciamento espacial ex: um
outro ambiente e ou distanciamento temporal:ex: passado ou futuro (função
antecipação).
Os objetos
de referência podem representar:
· Atividades- O
objeto a ser selecionado deverá ser significativo para o aluno dentro da
atividade, por exemplo: a caneca para tomar o café da manhã, pois o aluno a
utiliza para executar a ação.
· Horários- É difícil para pessoa com surdocegueira e para
pessoa com deficiência múltipla entender a principio horas, podendo ser
representado por objetos que determinam o tempo, por exemplo, ampulheta,
relógio quando há reconhecimento ou desenho da atividade com relógio para indicar
o horário do acontecimento ou um objeto que determine a hora: A chave da casa
para indicar que o período escolar acabou e que é hora de ir para casa.
· Qualificadores: São
utilizados para qualificar ações, por exemplo: para Sim e Não o sim é
representando por um objeto em formato de X e o Não em formato de Círculo.
·Lugares: Para
representar o espaço, deverá ser selecionado algo significativo do contexto
daquele espaço a ser utilizado e fixado na porta de entrada do mesmo.
· Pessoas: É
selecionado algo que para pessoa tenha um significado e a pessoa com
surdocegueira possa manuseá-la sem constrangimento.
Utiliza os Objetos de Referência para:
· Ajudar a lembrar de coisas e pessoas
(reconhecimento e identificação).
· Entender melhor as coisas, saber seus significados
para que serve, onde está, quem é a pessoa.
· Comunicar-se com outras pessoas, quando já
identifica e antecipa , demonstrando suas vontades, seu interesse e
sentimentos.
· Usando os objetos de referência, experiências podem
ser registradas em calendários e em livros de conversação. Os objetos de
referência oferecem algo tangível – um meio concreto de se falar sobre
experiências e eventos.
· Registrar os eventos dá à criança a oportunidade,
por exemplo, de esperar por um evento agradável.
· A criança pode também expressar desejos com relação
ao futuro, assim como ser capaz de olhar para trás para eventos do passado. É
dado então à criança com surdocegueira e ou para criança com deficiência
múltipla oportunidade para tornar-se uma pessoa com presente, passado e futuro.
· Pistas: Crianças com
surdocegueira e ou com deficiência múltipla, também no seu dia a dia recebem
várias pistas, o que passam a antecipar, lugar, pessoas e ambientes.
· Pista de Contexto:
o
Fazem parte do ambiente.
o
Podem ser: cheiro, sons, organização do ambiente e
sons de pessoas.
o
Usar Pistas concretas no contexto utilizado para
identificar o espaço.
· Pistas de Movimentos: São movimentos que são
realizadas em conjunto com a criança, durante a atividade. Por exemplo: fazer o
movimento com a criança de balançar e em seguida levar para balança.
· Pistas Táteis: São estímulos táteis, por exemplo:
tocar no ombro para colocar a jaqueta.
É importante uso destas pistas para pessoas com
surdocegueira e com deficiência múltipla que apresentam comunicação básica.
Referências:
·
MAIA,
Shirley Rodrigues. Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e
Deficiência Múltipla. São Paulo, 2011.
Surdocegueira e Deficiência
Múltipla. Coleção: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar.
Ministério da Educação. UFC. Em:http://www.professoradilsonventura.com.br/images/documentos/FASC5.pdf
Parabéns Carmem, seu texto foi bastante claro e significativo para auxiliar na compreensão do assunto abordado, além de propor possibilidades de trabalho com as pessoas com DMU.
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