Refletindo sobre a
abordagem de Ítalo Calvino em seu texto “O modelo dos modelos”, temos que o ser
humano é um “todo”, e nessa totalidade permeiam as suas dificuldades, os seus
limites, suas necessidades, mas também as suas habilidades e as suas
possibilidades que se diferenciam de um ser para o outro.
Não existe
um modelo adaptado a todas às pessoas e a todos os padrões, dificuldades,
limites... Existe sim, quando se pensa em AEE, a descoberta de possibilidades.
Descobrir caminhos que possam levar ou conduzir o aluno com alguma deficiência,
a minimizar as suas dificuldades, atendendo as suas necessidades, a partir de
seu potencial e não de modelos ou padrões pré-concebidos, mas sim, considerando
suas peculiaridades; o que é válido para um pode não ser para o outro.
Para o
atendimento no AEE, o profissional, precisa de um olhar cuidadoso e desprovido
de qualquer modelo “inflexível” ou fechado em um padrão, quer seja com relação
ao aluno e suas deficiências, quer seja, à forma de atendimentos. O importante
é a realidade de cada um, o quanto cada um poderá almejar, sonhar e construir. O
quanto existe de possibilidades em cada ser apesar de sua deficiência!
domingo, 8 de junho de 2014
O que são os
Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD)?
Os
Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) são distúrbios nas interações
sociais recíprocas que costumam manifestar-se nos primeiros cinco anos de vida.
Caracterizam-se pelos padrões de comunicação estereotipados e repetitivos,
assim como pelo estreitamento nos interesses e nas atividades.
Os TGD
englobam os diferentes transtornos do espectro autista, as psicoses infantis, a
Síndrome de Asperger, a Síndrome de Kanner e a Síndrome de Rett.
Com
relação à interação social, crianças com TGD apresentam dificuldades em iniciar
e manter uma conversa. Algumas evitam o contato visual e demonstram aversão ao
toque do outro, mantendo-se isoladas. Podem estabelecer contato por meio de comportamentos
não-verbais e, ao brincar, preferem ater-se a objetos no lugar de movimentar-se
junto das demais crianças. Ações repetitivas são bastante comuns.
Os
Transtornos Globais do Desenvolvimento também causam variações na atenção, na
concentração e, eventualmente, na coordenação motora. Mudanças de humor sem
causa aparente e acessos de agressividade são comuns em alguns casos. As
crianças apresentam seus interesses de maneira diferenciada e podem fixar sua
atenção em uma só atividade, como observar determinados objetos, por exemplo.
Com
relação à comunicação verbal, essas crianças podem repetir as falas dos outros
- fenômeno conhecido como ecolalia - ou, ainda, comunicar-se por meio de gestos
ou com uma entonação mecânica, fazendo uso de jargões.
Como
lidar com o TGD na escola?
Crianças com transtornos de desenvolvimento apresentam
diferenças e merecem atenção com relação às áreas de interação social,
comunicação e comportamento. Na escola, mesmo com tempos diferentes de
aprendizagem, esses alunos devem ser incluídos em classes com os pares da mesma
faixa etária.
Estabelecer
rotinas em grupo e ajudar o aluno a incorporar regras de convívio social são
atitudes de extrema importância para garantir o desenvolvimento na escola. Boa
parte dessas crianças precisa de ajuda na aprendizagem da autorregulação.
Apresentar
as atividades do currículo visualmente é outra ação que ajuda no processo de
aprendizagem desses alunos. Faça ajustes nas atividades sempre que necessário e
conte com a ajuda do profissional responsável pelo Atendimento Educacional
Especializado (AEE). Também cabe ao professor identificar as potências dos
alunos. Invista em ações positivas, estimule a autonomia e faça o possível para
conquistar a confiança da criança. Os alunos com TGD costumam procurar pessoas
que sirvam como 'porto seguro' e encontrar essas pessoas na escola é
fundamental para o desenvolvimento.
Destinada a crianças com
Transtorno do Espectro Autista
Pode ser realizada na sala
se aula, no AEE e também orientada para ser utilizada com a família.
Interesses:
Animais,
meios de transporte, efeitos sonoros e onomatopeias.
Metas principais:
Acompanhar
e compreender uma sequência narrativa.
Participação física.
Ação motivadora (o papel do adulto):
Contar
uma história para a criança utilizando a sequência narrativa de um livro
caseiro personalizado. Utilizar sua expressividade facial, corporal e de voz em
breves encenações para ajudar a criança a manter-se atenta e motivada durante
toda a história. Oferecer opções de cartões para que a criança complete a
história.
Solicitação (o papel da criança):
Escolher
o cartão que completará cada trecho da história do livro.
Preparação da atividade:
Confeccione
um livro personalizado utilizando papel de tamanho A3 e deixe espaços em branco
no texto para que cartões possam ser encaixados de forma a completar a
história. Confeccione de 2 a 4 cartões diferentes como opções para cada espaço
em branco. Os cartões podem conter apenas fotos/desenhos, conter fotos/desenhos
e palavras, ou apenas palavras, dependendo do estágio de desenvolvimento das
habilidades cognitivas de sua criança. Plastifique tanto o livro como os
cartões e cole uma fita de Velcro no verso dos cartões e nos trechos em branco
do livro para que os cartões possam ser encaixados desta forma. Abaixo um
exemplo de história e de cartões:
Era uma
vez um…
gato
cachorro
tigre
sapo
Que
morava em uma casa…
vermelha
amarela
azul
verde
Um dia,
ele foi passear de…
carro
trem
helicóptero
caminhão
E ele
chegou na….
escola
praia
floresta
piscina
Ali,
ele encontrou seu amigo…
pato
leão
macaco
urso
E eles
comeram juntos uma deliciosa e gigante…
banana
laranja
melancia
maçã
Estrutura da atividade:
Quando
você começar a contar a história, mantenha todos os cartões em uma prateleira e
mostre à sua criança apenas os 2 a 4 cartões referentes à primeira página. Seja
o modelo para sua criança, escolha um dos cartões e coloque você mesmo o cartão
no espaço com velcro do livro, sem pedir nada à criança. Guarde na prateleira
os cartões daquela página que não foram utilizados. Continue a história
utilizando sua expressividade e animação, encenando, oferecendo efeitos sonoros
relativos aos meios de transporte e onomatopeias para cada um dos animais. A
cada espaço em branco, mostre os novos cartões e estimule a criança (caso ela
esteja altamente motivada) a ajudá-lo a escolher um cartão e encaixá-lo no
livro. Lembre-se que o momento em que solicitamos algo da criança também faz
parte da diversão. Traga leveza e animação para este momento demonstrando sua
empolgação em escolher os cartões e montar a história. A criança não precisa
escolher e colocar os cartões no livro. Se ela conseguir manter-se atenta e
acompanhar toda a história, isso já é fantástico para uma criança que ainda não
adquiriu a habilidade de seguir sequências narrativas orais ou escritas. E se
ela participar escolhendo e colocando os cartões no livro, lembre-se de
celebrar muito suas participações!
Variações:
Se a
sua criança gosta de música, você pode fazer uma história cantada. Com uma
melodia conhecida, você pode confeccionar o livro escrevendo a letra original
ou uma letra modificada para montar a sua história e também deixar espaços em
branco para a criança completar com os cartões.
Observações:
Algumas
crianças podem se beneficiar de uma história com menos espaços em branco para
completar – ou até nenhum – caso os espaços em branco e os cartões a distraiam
dificultando a compreensão da história narrada. Se este for o caso de sua
criança, invista em livros personalizados confeccionados por você com os
interesses da criança, com texto simplificado e ilustrações atraentes, para que
você possa simplesmente contar a história com animação e expressividade.