domingo, 8 de dezembro de 2013

DESCRIÇÃO E AUDIODESCRIÇÃO

No Brasil, a primeira peça comercial a contar com o recurso da audiodescrição foi "O Andaime", no Teatro Vivo, em março de 2007. O primeiro filme, "Irmãos de Fé", do Padre Marcelo Rossi em 2005. E a Natura marcou presença como sendo a primeira empresa a veicular um comercial com audiodescrição na TV aberta, em 2006. Apesar dessas tentativas isoladas e que têm ganhado força ao longo dos anos, a audiodescrição na programação já é prevista desde 2004, por força do decreto nº 5296, que regulamenta a lei que estabelece as normas de acessibilidade. Em 2006, as medidas para disponibilização da audiodescrição foi regulamentada pela portaria nº 310 do Ministério das Comunicações. Essas regras foram suspensas em 2008 e retomadas a partir de 2010, com a Portaria nº 188/2010, que determina a veiculação de duas horas por semana de programação com audiodescrição a partir de 1º de julho de 2011, e ampliando esse tempo de exibição gradativamente. Estamos em contagem regressiva para tal efetivação. 
Em ambientes educativos, a audiodescrição como ferramenta pedagógica tem por finalidades o acesso a materiais bibliográficos, ao currículo e a conteúdos escolares ao mesmo tempo em que o restante da turma. Informar disposição do mobiliário, da planta baixa da escola, de objetos, dos espaços de recreação ou de uso comum. Atentar para o trabalho colaborativo em descrição de filmes, slides, mapas, tabelas, fotografias, gráficos, mostras, eventos e exposições no ambiente escolar, entre outros.
Desta forma podemos considerar que audiodescrição é recurso para a acessibilidade e que significa que “Se você não vê, poderá ouvir; Se você não ouve, poderá ler; e Se você não lê, poderá compreender”. O audiodescritor, portanto, será a ponte entre a imagem não vista e a imagem construída por meio de referências sonoras, conduzidas e esculpidas na imaginação de quem as ouve.


A audiodescrição de uma imagem:

O violeiro



"O Violeiro" (1899)
Óleo sobre Tela
José Ferraz de Almeida Junior (1850-1899)

Notas Proêmias: Reconhecido por pintar pessoas simples do cotidiano do interior de São Paulo José Ferraz de Almeida Junior (1850-1899), ilustra a capa do volume II da Revista Brasileira de Tradução Visual, tanto como homenagem aquele pintor, quanto como um exemplo de áudio-descrição aplicada às imagens estáticas. Para conhecer mais a respeito desse artista e de muitos outros, visite a pinacoteca do estado de São Paulo ou acesse o site da Pinacoteca.

Áudio-Descrição: Sentado no batente de uma janela de uma casa de sapê um homem branco toca viola. Do batente para cima a parede está rebocada e pintada com cor amarela. Do batente para baixo vê-se estrutura de barro e madeira comum as casas de pau-a-pique. O violeiro está com as costas apoiada no umbral esquerdo da janela, usa um chapéu marrom cuja parte frontal da aba esta dobrada para cima enquanto a atrás, a aba esta dobrada para baixo. Ele veste uma camisa xadrez em tons de cinza e branco e calça clara.  Do lado de fora da casa, em pé, uma mulher está encostada no umbral direito da janela. A mulher, com cabelo preto preso em coque, está com o rosto olhando para a direita, em direção às mãos do violeiro. Ela esta com os lábios entreabertos. A mulher veste uma blusa vermelha comprida que cobre parte de uma saia marrom. A blusa tem bolinhas brancas e mangas largas e longas cobrindo a metade do antebraço. Ao pescoço, a mulher trás um lenço branco com listras vermelhas. Com a mão direita segura uma extremidade do lenço e com a outra, segura a extremidade esquerda. 

Fonte: Revista Brasileira de Tradução Visual, volume 02, 2010. 
http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br/index.php/principal/article/view/31/29

A presente imagem retrata a vida nos sertões, como as pessoas de vida simples, se vestiam, tinham uma vida pacata e humilde. Com esta imagem é possível trabalhar o estilo de vida das pessoas de antigamente comparando com as de hoje, o que tem de mudanças, a vida no sertão e a vida nas grandes cidades. Explorar as palavras desconhecidas buscando seu significado no contexto da fala.



Veja um exemplo de descrição com tirinhas para os alunos cegos ou com baixa visão:
Legenda: tira cômica, sem título, com a personagem argentina Mafalda, do cartunista Quino.

Descrição: a tirinha colorida, com 4 quadros, mostra Mafalda, uma menininha de aproximadamente 7 anos, com blusa vermelha de gola branca, laço vermelho no cabelo preto com franja, lendo um livro, que está sobre uma mesa redonda. Suas falas estão dentro de balões.

Q1: Mafalda debruçada sobre o livro, com a mão segurando o rosto, lê: Ema vê a mesa da sala de estar.
Q2: Mafalda vira-se para o lado e pergunta: Mamãe, o que é sala de estar?
Q3: Sentada à mesa, com as mãos sobre o livro, ela escuta a resposta: É living. Ela responde: Ah, bom!
Q4: Mafalda, com a testa franzida e debruçada sobre o livro e a mão segurando o rosto, reclama: Afinal, por que eles não escrevem esses livros na língua da gente?

Tirinha disponível em: 
BRASIL. Nota Técnica, Nº 21. Orientações para descrição de imagem na geração de material digital acessível - Mecdaisy. MEC/SECADI/DPEE, 2012. Disponível em:http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=10538&Itemid=. 
por luzivete viana - adaptado por Blog da Audiodescrição   Fonte: AEE 2013

sábado, 19 de outubro de 2013

DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

Jogos e/ou atividades que poderão favorecer o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno com deficiência intelectual.

De acordo com as necessidades específicas apresentadas pelo educando do caso em estudo, escolhi duas atividades que contemplam o lúdico, sendo uma forma descontraída de envolvê-lo nas atividades e ao mesmo tempo favorecendo o desenvolvimento de alguns aspectos que se encontram alterados. Para que consigamos envolver qualquer criança nas atividades propostas, precisamos despertar o seu interesse através de atividades que chamem a sua atenção e que esta se sustente por um período mínimo de tempo, fazendo com que a criança se envolva na atividade e através destas atividades vamos conseguindo dia após dia, um aumento de tempo gradativo proporcionando o desenvolvimento dos mecanismos de atenção e concentração que são fundamentais para que a aprendizagem aconteça.

Bingo de Formas Geométricas

Estimula: Classificação, percepção visual, reconhecimento de formas e cores, atenção e concentração.
Descrição: 6 cartelas (20x20cm) contendo desenhos de círculos, triângulos, quadrados, retângulos (em cores diferentes). 36 cartelinhas (4x4cm) das mesmas figuras, para serem sorteadas. Tampinhas de refrigerante para marcar a figura sorteada.

Exploração: Ao ouvir a descrição da figura “cantada”, a criança coloca uma tampinha em cima da figura correspondente. Ganha o jogo quem conseguir completar uma fileira horizontal ou vertical.









História em Quadrinhos

Estimula: Pensamento lógico, seqüência lógica, atenção e concentração, estruturação tempo-espacial, discriminação visual, socialização e exploração de vocabulário.  
Descrição: Uma tira de cartolina com riscos dividindo em quadrinhos. Figuras selecionadas de revista em quadrinhos são colocadas em seqüência na tira de cartolina, para formar uma história, de acordo com o seguinte critério: uma figura é colada ao lado da outra, seguindo as divisões do quadrinho. Depois serão cortadas nos lugares onde foram traçados os riscos, separando a figura ao meio e interrompendo a seqüência.
Exploração: Montar a seqüência da história juntando as figuras separadas pelo recorte. Narrar à história.














domingo, 8 de setembro de 2013


 

Tecnologia Assistiva é um termo ainda novo, utilizado para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover vida independente e inclusão.

Dentre os recursos vou detalhar um recurso que é a Comunicação Alternativa e Aumentativa – CCA, de suma importância na vida de muitos alunos com necessidades educacionais especiais, em especial os paralisados cerebrais, que são falantes não funcionais ou não falantes, ou seja, pessoas que apresentam um comprometimento severo na fala por problemas físicos, neuromusculares, cognitivos ou déficits emocionais e não possuem prejuízos na audição, ou então usam a fala independente como primeira forma de comunicação, porém não são compreendidos por outras pessoas que não são de convívio muito próximo (pessoas com prejuízos sensoriais).  

A CAA é destinada a atender pessoas sem fala ou escrita funcional ou em defasagem entre sua necessidade comunicativa e sua habilidade em falar e/ou escrever. Recursos como as pranchas de comunicação, construídas com simbologia gráfica (BLISS, PCS e outros), letras ou palavras escritas, são utilizados pelo usuário da CAA para expressar suas questões, desejos, sentimentos, entendimentos. A alta tecnologia dos vocalizadores (pranchas com produção de voz) ou o computador com softwares específicos, garantem grande eficiência à função comunicativa.

A CAA poderá favorecer pessoas de todas as idades e que necessitam de recursos e/ou estratégias que ampliem ou desenvolvam sua habilidade de comunicação.

Os sistemas de CAA podem ser organizados em recursos que não necessitam auxílio externo (sinais manuais, gestos, apontar, piscar de olhos, sorrir, vocalizar) e os que necessitam auxílio externo (objeto real, miniatura, retrato, símbolo gráfico, letras e palavras, dispostos em recursos de baixa e altas tecnologia).

Podemos citar alguns exemplos de recursos de baixa tecnologia como:
 
  • PCS – Picture Communications Symbols – Possui símbolos característicos e próprios de nossa história e cultura nacional sendo o sistema simbólico mais utilizado no Brasil. Possui uma simbologia de fácil interpretação.
 



·       Cartões de Comunicação – Os símbolos são disponibilizados em formato de cartões, e bastante úteis na sala de aula (na construção de rotina com a turma), em oficinas como tópicos de interesse dos alunos) e são facilmente organizados como uma prancha de vocabulários previamente selecionados.



·        Pranchas de comunicação – São colocados vários símbolos gráficos que representam mensagens. O vocabulário deverá ser escolhido de acordo com as necessidades comunicativas de seu usuário e, portanto, as pranchas são personalizadas.
 
 
Alguns recursos de Alta Tecnologia:
·       Vocalizadores – Através de um vocalizador, o usuário manifesta seus pensamentos, sentimentos e desejos, escolhendo uma tecla do equipamento que, ao ser selecionada, emite uma voz que expressa a mensagem escolhida.
 

·   Computadores – Os computadores também podem se transformar em potentes recursos de comunicação, com vocabulário ilimitado. Para isso, utilizamos um software especial com pranchas dinâmicas, ou teclados virtuais e programas de síntese de voz.

A utilização da CAA na escola possibilita ampliar a independência do aluno, que passará a expressar o que deseja; elevará a produtividade, seja na escola, trabalho ou em casa; propiciará melhores condições de aprendizado e com isso aumentará a autoestima, levando esse aluno a uma verdadeira inclusão escolar e social.

Fonte de pesquisa:
·         Deficiência Física / Carolina R. Schirmer... (et al.). São Paulo: MEC/SEESP, 2007. 130p. Atendimento Educacional Especializado.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

AEE Fechamento_Carmen


A atuação do professor de AEE na escola e na SRM é de suma importância para o desenvolvimento das habilidades e potencialidades das crianças que necessitam de acompanhamento e auxiliam o trabalho realizado pelo professor da sala de aula comum, promovendo a participação e o envolvimento destas crianças nas atividades escolares.

Para o efetivo trabalho do professor de AEE é necessário que ele faça um estudo prévio sobre cada criança para que posteriormente ele possa traçar um perfil do educando e com isso elencar objetivos a serem alcançados por cada um de acordo com suas características, o seu nível de conhecimento e principalmente estimulando suas potencialidades.

O plano de AEE irá contribuir para a aprendizagem e desenvolvimento dos alunos atendidos na SRM, pois é um plano individualizado a ser desenvolvido de acordo com as características apresentadas pela criança, tornando o aprendizado acessível através de recursos definidos e direcionados às atividades a serem desenvolvidas, com o propósito de superação e aquisição de novas aprendizagens.

sábado, 25 de maio de 2013

Sugestão de Vídeos sobre Tecnologias

 Sugestão de Vídeos sobre Tecnologias:
 
 • Help Desk na Idade Média
Duração 2min39seg, em Inglês, com legenda em português
http://www.youtube.com/watch?v=IJq-x2Vrv8c

• Rafinha 2.0
Duração: 9min36seg, em Português
http://www.youtube.com/watch?
v=UI2m5knVrvg&eurl=http%3A%2F%2Ftdeduc%2Ezip%2Enet%2F

• Web 2.0
• Duração 4min32seg, com legenda em português
http://www.youtube.com/watch?v=X4n90pO-kRk

• Did You Know 2.0
Duração 8min19seg, com legenda em português
http://www.youtube.com/watch?v=I47Hcc7HHOM

• Shift Happens
Duração 7min38seg, com legenda em inglês
http://www.youtube.com/watch?v=fhnWKg9B2-8

O vídeo Help Desk na Idade Média, nos leva a refletir sobre as dificuldades percebidas diante as novidades em que nós estamos expostos diariamente desde os tempos mais primitivos até os dias atuais. Ele retrata a evolução dos textos com a descoberta do livro; que podemos complementar com a reflexão do vídeo Web 2.0, no qual nos mostra que a evolução acontece a todo tempo, sem que tenhamos necessidade de parar para perceber, estamos imersos as novidades tecnológicas, e as tentativas e erros nos levam ao aprimoramento do conhecimento que vamos adquirindo e vivenciando na prática, estando em contato com o mundo virtual. A tecnologia da informação permite não apenas que estejamos conectados a informações diversas, mas vai além, permite conectar pessoas e nesse sentido é importante relevar os construtos éticos que permitem repensar sobre a individualidade e a privacidade que permeiam a vida social das pessoas.

Pesquisa sobre Educação Especial

Pesquisa sobre Educação Especial

Em conformidade com a atividade proposta, em minha pesquisa realizada encontrei um site da Rede Saci, que é um Projeto do Programa USP Legal da Pró Reitoria de Cultura e Extensão Universitária - USP. Neste site encontra-se vários artigos e/ou publicações referentes a Inclusão e assuntos afins, que podem acrescentar conhecimentos interessantes ao nosso currículo de cursista ressaltando a publicação de um Livro - Educação Inclusiva: O que o Professor tem a ver com isso? que referencia a inclusão reunindo assuntos relevantes a proposta do tema “Educação Inclusiva”. Apesar de ser um conteúdo vasto, é muito enriquecedor! Boa leitura a todos!

 Educação Inclusiva: O que o Professor tem a ver com isso?


(Acesso em11/05/2013) 

POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela

Portaria nº 555/2007, prorrogada pela Portaria nº948/2007,

entregue ao Ministro da Educação em 07 de janeiro de 2008. 

 

POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA

PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Brasília - Janeiro de 2008 

 


DECRETO Nº 7.611, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2011

DECRETO Nº 7.611, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2011


Link:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Decreto/D7611.htm

RESOLUÇÃO Nº 4, DE 2 DE OUTUBRO DE 2009

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
CÂMARA DE EDUCAÇÃO BÁSICA

RESOLUÇÃO Nº 4, DE 2 DE OUTUBRO DE 2009 (*)

Institui Diretrizes Operacionais para o
Atendimento Educacional Especializado na
Educação Básica, modalidade Educação
Especial.

O Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação,
no uso de suas atribuições legais, de conformidade com o disposto na alínea “c” do artigo 9º
da Lei nº 4.024/1961, com a redação dada pela Lei nº 9.131/1995, bem como no artigo 90, no
§ 1º do artigo 8º e no § 1º do artigo 9º da Lei nº 9.394/1996, considerando a Constituição
Federal de 1988; a Lei nº 10.098/2000; a Lei nº 10.436/2002; a Lei nº 11.494/2007; o Decreto
nº 3.956/2001; o Decreto nº 5.296/2004; o Decreto nº 5.626/2005; o Decreto nº 6.253/2007; o
Decreto nº 6.571/2008; e o Decreto Legislativo nº 186/2008, e com fundamento no Parecer
CNE/CEB nº 13/2009, homologado por Despacho do Senhor Ministro de Estado da
Educação, publicado no DOU de 24 de setembro de 2009, resolve:
Art. 1º Para a implementação do Decreto nº 6.571/2008, os sistemas de ensino devem
matricular os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento
Educacional Especializado (AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em
centros de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições
comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos.
Art. 2º O AEE tem como função complementar ou suplementar a formação do aluno
por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que
eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua
aprendizagem.
Parágrafo único. Para fins destas Diretrizes, consideram-se recursos de acessibilidade
na educação aqueles que asseguram condições de acesso ao currículo dos alunos com
deficiência ou mobilidade reduzida, promovendo a utilização dos materiais didáticos e
pedagógicos, dos espaços, dos mobiliários e equipamentos, dos sistemas de comunicação e
informação, dos transportes e dos demais serviços.
Art. 3º A Educação Especial se realiza em todos os níveis, etapas e modalidades de
ensino, tendo o AEE como parte integrante do processo educacional.
Art. 4º Para fins destas Diretrizes, considera-se público-alvo do AEE:
I – Alunos com deficiência: aqueles que têm impedimentos de longo prazo de natureza
física, intelectual, mental ou sensorial.
II – Alunos com transtornos globais do desenvolvimento: aqueles que apresentam um
quadro de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações
sociais, na comunicação ou estereotipias motoras. Incluem-se nessa definição alunos com
autismo clássico, síndrome de Asperger, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da
infância (psicoses) e transtornos invasivos sem outra especificação.
III – Alunos com altas habilidades/superdotação: aqueles que apresentam um potencial
elevado e grande envolvimento com as áreas do conhecimento humano, isoladas ou
combinadas: intelectual, liderança, psicomotora, artes e criatividade.
(*) Resolução CNE/CEB 4/2009. Diário Oficial da União, Brasília, 5 de outubro de 2009, Seção 1, p. 17.
Art. 5º O AEE é realizado, prioritariamente, na sala de recursos multifuncionais da
própria escola ou em outra escola de ensino regular, no turno inverso da escolarização, não
sendo substitutivo às classes comuns, podendo ser realizado, também, em centro de
Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias,
confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com a Secretaria de Educação
ou órgão equivalente dos Estados, Distrito Federal ou dos Municípios.
Art. 6º Em casos de Atendimento Educacional Especializado em ambiente hospitalar
ou domiciliar, será ofertada aos alunos, pelo respectivo sistema de ensino, a Educação
Especial de forma complementar ou suplementar.
Art. 7º Os alunos com altas habilidades/superdotação terão suas atividades de enriquecimento
curricular desenvolvidas no âmbito de escolas públicas de ensino regular em interface
com os núcleos de atividades para altas habilidades/superdotação e com as instituições de
ensino superior e institutos voltados ao desenvolvimento e promoção da pesquisa, das artes e
dos esportes.
Art. 8º Serão contabilizados duplamente, no âmbito do FUNDEB, de acordo com o
Decreto nº 6.571/2008, os alunos matriculados em classe comum de ensino regular público
que tiverem matrícula concomitante no AEE.
Parágrafo único. O financiamento da matrícula no AEE é condicionado à matrícula no
ensino regular da rede pública, conforme registro no Censo Escolar/MEC/INEP do ano
anterior, sendo contemplada:
a) matrícula em classe comum e em sala de recursos multifuncionais da mesma
escola pública;
b) matrícula em classe comum e em sala de recursos multifuncionais de outra escola
pública;
c) matrícula em classe comum e em centro de Atendimento Educacional
Especializado de instituição de Educação Especial pública;
d) matrícula em classe comum e em centro de Atendimento Educacional
Especializado de instituições de Educação Especial comunitárias, confessionais ou
filantrópicas sem fins lucrativos.
Art. 9º A elaboração e a execução do plano de AEE são de competência dos
professores que atuam na sala de recursos multifuncionais ou centros de AEE, em articulação
com os demais professores do ensino regular, com a participação das famílias e em interface
com os demais serviços setoriais da saúde, da assistência social, entre outros necessários ao
atendimento.
Art. 10. O projeto pedagógico da escola de ensino regular deve institucionalizar a
oferta do AEE prevendo na sua organização:
I – sala de recursos multifuncionais: espaço físico, mobiliário, materiais didáticos,
recursos pedagógicos e de acessibilidade e equipamentos específicos;
II – matrícula no AEE de alunos matriculados no ensino regular da própria escola ou
de outra escola;
III – cronograma de atendimento aos alunos;
IV – plano do AEE: identificação das necessidades educacionais específicas dos
alunos, definição dos recursos necessários e das atividades a serem desenvolvidas;
V – professores para o exercício da docência do AEE;
VI – outros profissionais da educação: tradutor e intérprete de Língua Brasileira de
Sinais, guia-intérprete e outros que atuem no apoio, principalmente às atividades de
alimentação, higiene e locomoção;
VII – redes de apoio no âmbito da atuação profissional, da formação, do
desenvolvimento da pesquisa, do acesso a recursos, serviços e equipamentos, entre outros que
maximizem o AEE.
Parágrafo único. Os profissionais referidos no inciso VI atuam com os alunos públicoalvo
da Educação Especial em todas as atividades escolares nas quais se fizerem necessários.
Art. 11. A proposta de AEE, prevista no projeto pedagógico do centro de Atendimento
Educacional Especializado público ou privado sem fins lucrativos, conveniado para essa
finalidade, deve ser aprovada pela respectiva Secretaria de Educação ou órgão equivalente,
contemplando a organização disposta no artigo 10 desta Resolução.
Parágrafo único. Os centros de Atendimento Educacional Especializado devem
cumprir as exigências legais estabelecidas pelo Conselho de Educação do respectivo sistema
de ensino, quanto ao seu credenciamento, autorização de funcionamento e organização, em
consonância com as orientações preconizadas nestas Diretrizes Operacionais.
Art. 12. Para atuação no AEE, o professor deve ter formação inicial que o habilite para
o exercício da docência e formação específica para a Educação Especial.
Art. 13. São atribuições do professor do Atendimento Educacional Especializado:
I – identificar, elaborar, produzir e organizar serviços, recursos pedagógicos, de
acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos público-alvo
da Educação Especial;
II – elaborar e executar plano de Atendimento Educacional Especializado, avaliando a
funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade;
III – organizar o tipo e o número de atendimentos aos alunos na sala de recursos
multifuncionais;
IV – acompanhar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de
acessibilidade na sala de aula comum do ensino regular, bem como em outros ambientes da
escola;
V – estabelecer parcerias com as áreas intersetoriais na elaboração de estratégias e na
disponibilização de recursos de acessibilidade;
VI – orientar professores e famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade
utilizados pelo aluno;
VII – ensinar e usar a tecnologia assistiva de forma a ampliar habilidades funcionais
dos alunos, promovendo autonomia e participação;
VIII – estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum, visando à
disponibilização dos serviços, dos recursos pedagógicos e de acessibilidade e das estratégias
que promovem a participação dos alunos nas atividades escolares.
Art. 14. Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as
disposições em contrário.
CESAR CALLEGARI

Informes sobre a coletânea

Informes sobre a coletânea que será utilizada no curso:

As atividades das disciplinas serão fundamentadas, principalmente, na
coletânea de livros que foram desenvolvidos na versão 2010/2011 desse curso,
numa parceria entre UFC e MEC. Para esta edição, não teremos a versão impressa
da coletânea para distribui-las aos Cursistas. Teremos somente o formato digital,
que pode ser acessado no site da SECADI:
http://portal.mec.gov.br
• Localize SECADI entre as SECRETARIAS listadas no lado direito do Portal
• Clique no botão PUBLICAÇÕES
• Clique no link EDUCAÇÃO ESPECIAL
• Encontrará vários materiais disponíveis para pesquisa. Para o nosso
curso, localize:
Coleção "A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar"
Cada fascículo pode ser baixado no computador pessoal clicando sobre o
mesmo com o botão direito do mouse e, depois, descompactando. Para
descompactá-lo, localize o arquivo que foi baixado em seu computador (extensão
.zip) e clique sobre o mesmo com o botão direito do mouse, opção EXTRAIR TUDO.
Será disponibilizada a versão em PDF e em MEC DAYSE. Ao todo são dez fascículos:
Fasc_01_-_A_escola_comum_inclusiva
Fasc_02_-_O_AEE_para_alunos_com_deficiência_intelectual
Fasc_03_-_Os_alunos_com_deficiência_visual_baixa_visão_e_cegueira
Fasc_04_-_Abordagem_bilíngue_na_escolarização_de_pessoas_com_surdez
Fasc_05_-_Surdocegueira_e_deficiência_múltipla
Fasc_06_-_Recursos_pedagógicos_acessíveis_e_comunicação_aumentativa
Fasc_07_-Orientação_e_mobilidade,_adequação_postural_e_acessibilidade
Fasc_08_-_Livro_Acessível_e_informática_acessível
Fasc_09_-_Transtornos_globais_do_desenvolvimento
Fasc_10_-_Altas_habilidades_-_Superdotação
Título: Os desafios da aprendizagem virtual
Cursista: Carmen Divina Machado Alves
Município: Goiânia
Município Abrangência: Aparecida de Goiânia
Data da Elaboração: 28/04/2013.

Vivemos hoje em um mundo das altas tecnologias, com performances inovadoras em amplos sentidos e inseridos neste contexto estamos imersos no deslanchar das novidades tecnológicas onde dispusemos de importantes ferramentas que se usadas com propriedade a fim de se obter algo fundamentado, com certeza conseguiremos colher bons frutos.
A ferramenta virtual pode ampliar horizontes, nos levar a fontes infinitas de conhecimentos, porém por outro lado pode exigir conhecimentos prévios para que o seu uso viabilize de forma satisfatória e atenda as expectativas do usuário.
O curso a distância surge como um recurso facilitador, uma vez que as pessoas podem organizar o seu próprio horário de estudo, proporciona maior comodidade, mas em contrapartida necessita de um direcionamento focado em um querer aprender, para que se torne algo proveitoso, que instigue as pessoas a estar ali participando virtualmente não por obrigatoriedade de cumprir algo determinado, mas pelo simples fato de estar correspondendo com a busca desejada, que seja levado a sério, com buscas constantes, trocas de conhecimentos e informações.
É uma opção que difere em vários aspectos de um curso presencial, onde se está presente todos os dias em uma sala de aula e diante de assuntos debatidos e discutidos, é uma escolha que demanda maior dedicação, maior profundidade nos temas trabalhados, buscas bibliográficas e sobretudo dispor de tempo suficiente e conhecimentos satisfatórios para o uso da ferramenta, para que aconteça de fato o aprendizado proposto na dinâmica do curso.
A modalidade do curso, semipresencial nos proporciona momentos (presenciais) de interação com maior envolvimento do grupo, com o intuito de formalizar algumas ações a serem desenvolvidas durante o decorrer do curso bem como fortalecer o vínculo e para que possamos nos sentir mais seguros diante das participações virtuais, aprofundando com trocas de conhecimentos e discussões relevantes aos temas abordados.

CONTRIBUIÇÕES PARA UMA PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO ON-LINE





CONTRIBUIÇÕES PARA UMA PEDAGOGIA DA EDUCAÇÃO ON-LINE
Especialista em projetos inovadores na educação presencial e a distância
Artigo meu, publicado no livro organizado por SILVA, Marco. Educação online: teorias, práticas, legislação, formação corporativa.
São Paulo: Loyola, 2003. p. 39-50.
jmmoran@usp.br


Resumo
A educação on-line pode ser definida como o conjunto de ações de ensino-aprendizagem que são desenvolvidas através de meios telemáticos, como a Internet, a videoconferência e a teleconferência. A educação on-line nos traz questões pedagógicas específicas com desafios novos para a educação a distância e para a presencial. Existe hoje no Brasil uma grande variedade de cursos on-line: cursos para poucos e para muitos alunos, cursos com pouca interação e com muita interação, cursos centrados no professor e cursos centrados nos alunos; cursos que utilizam uma tecnologia (Internet, videoconferência, teleconferência) e outros que integram várias tecnologias. Para cursos com grandes grupos, o processo de organização do ensino-aprendizagem on-line é muito mais complexo do que o que realizamos no presencial, exigindo uma logística nova, que está sendo testada com mídias telemáticas pela primeira vez. Os papéis do professor se multiplicam, diferenciam e complementam, exigindo uma grande capacidade de adaptação, de criatividade diante de novas situações, propostas, atividades.
Palavras-chave: Novas tecnologias, Pedagogia, Educação a distância.



Educação on-line pode ser definida como o conjunto de ações de ensino-aprendizagem que são desenvolvidas através de meios telemáticos, como a Internet, a videoconferência e a teleconferência. A educação on-line acontece cada vez mais em situações bem amplas e diferentes, da educação infantil até a pós-graduação, dos cursos regulares aos cursos corporativos. Abrange desde cursos totalmente virtuais, sem contato físico - passando por cursos semi-presenciais - até cursos presenciais com atividades complementares fora da sala de aula, pela Internet. A educação on-line não equivale à educação a distância. Um curso por correspondência é a distância e não é on-line. Por outro lado, não podemos confundir a educação on-line só com cursos pela Internet e somente pela Internet no modo texto.
A educação on-line está em seus primórdios e sua interferência se fará notar cada vez mais em todas as dimensões e níveis de ensino. Com o avanço da telemática, a rapidez de comunicação por redes, a facilidade próxima de ver-nos e interagir a distância, a educação on-line ocupará um espaço central na pedagogia nos próximos anos.
A educação on-line nos traz atualmente questões específicas com desafios novos. Ela é utilizada em situações onde o presencial não dá conta, ou levaria muito tempo para atingir um número grande de alunos em pouco tempo, como, por exemplo, quando precisamos capacitar milhares de professores em serviço, que não possuem nível  superior. É difícil organizar cursos presenciais simultaneamente para 7 mil professores. O uso de videoconferência, Internet e sala de aula permitiu que a  USP, PUCSP e UNESP realizassem essa tarefa recentemente, a distância, em todo o Estado de São Paulo[1] . E essas situações nos obrigam a pensar em processos pedagógicos que compatibilizem a preparação de materiais e atividades adequados, a integração de vários tipos de profissionais envolvidos (professores autores, professores orientadores, professores assistentes e tutores), a combinação de tempos homogêneos e flexíveis, da comunicação em tempo real e em momentos diferentes[2] , as avaliações presenciais e a distância. É um processo muito mais complexo do que o que realizamos no presencial, porque exige uma logística nova, que está sendo testada com mídias telemáticas pela primeira vez. É muito tênue a linha que separa os cursos de massa com qualidade e os cursos de massa de baixo nível.
Alguns cursos por teleconferência[3] estão procurando criar formas de interação on-line cada vez mais avançadas e combiná-las com outros espaços e tempos complementares, num local próximo dos alunos[4] . A combinação do broadcast[5] com algumas ferramentas da comunicação on-line e off-line[6] , principalmente via Internet, é um dos caminhos mais promissores para o avanço da educação a distância e permite, ao menos em teoria, valorizar o melhor da transmissão para muitos grupos e novas formas de interação.
A educação on-line também está começando a trazer contribuições significativas para a educação presencial. Algumas universidades integram aulas presenciais com aulas e atividades virtuais, flexibilizando tempos e espaços, ampliando os espaços de ensino-aprendizagem até agora praticamente confinados à sala de aula. O currículo pode ser flexibilizado, segundo a portaria 2253 do MEC, em 20% da carga total. Algumas disciplinas estão sendo oferecidas total ou parcialmente a distância. O vinte por cento é uma  etapa inicial de criação da cultura on-line. Mais tarde, cada universidade irá definir qual é o ponto de equilíbrio entre o presencial e o virtual em cada área do conhecimento.
Existe hoje no Brasil uma grande variedade de cursos on-line: cursos para poucos e para muitos alunos, cursos com pouca interação e com muita interação, cursos centrados no professor e cursos centrados nos alunos; cursos unitecnológicos e outros com múltiplas tecnologias. Muitos desses cursos simplificam o processo pedagógico, se preocupam pouco com a construção do conhecimento, são massificadores, só visam o lucro fácil.
Com a educação on-line, com o avanço da velocidade de conexão pela Internet, pela TV digital e pelo celular de terceira geração, teremos tanto a massificação semelhante à de boa parte dos cursos superiores presenciais como novas formas interessantes de aprender continuamente, presencial e  virtualmente; teremos materiais prontos focados no professor e outros em contínua construção, com intensa participação dos alunos.  É ainda prematuro definir padrões pedagógicos na educação a distância, porque estamos em fase de experimentação de vários modelos, formatos, que também afetam ao ensino presencial.

 

Os múltiplos papéis do educador on-line

Com a educação on-line os papéis do professor se multiplicam, diferenciam e complementam, exigindo uma grande capacidade de adaptação, de criatividade diante de novas situações, propostas, atividades. Em uma parte dos cursos on-line continuamos com as aulas presenciais regulares, acrescentando algumas atividades complementares a distância. Em outros, as aulas são presenciais, mas há uma incidência maior de atividades virtuais, que podem liberar os alunos de alguns encontros presenciais previstos anteriormente. Em outros cursos só temos um ou dois encontros presenciais e a maior parte das aulas e atividades é feita a distância. Finalmente, organizamos cursos em que o professor não mantém contato físico com os alunos e todas as atividades são realizadas basicamente pela Internet.
O professor alterna cursos on-line com um número de alunos semelhante ao das aulas convencionais com outros com trezentos, quinhentos ou vários milhares de alunos, onde ele gerencia uma equipe de professores assistentes e monitores, que por sua vez atendem a turmas menores de alunos. Em determinados cursos o professor é somente um autor, não participa diretamente do andamentos dos cursos. Mesmo como autor, o conteúdo é tratado e editado por uma equipe para dar o tratamento específico para as mídias e o perfil do público. O professor participa de formas diferentes e exerce papéis diferentes em diferentes situações que se lhe apresentam na educação on-line.
O professor on-line precisa aprender a trabalhar com tecnologias sofisticadas e tecnologias simples; com Internet de banda larga e com conexão lenta; com videoconferência multiponto e teleconferência; com softwares de gerenciamento de cursos comerciais e com softwares livres. Ele não pode acomodar-se, porque a todo momento surgem soluções novas e que podem facilitar o trabalho pedagógico com os alunos. Soluções que não podem ser aplicadas da mesma forma para cursos diferentes.
O professor on-line cada vez será mais solicitado por outras instituições acadêmicas e corporativas para participar em um módulo ou parte de um curso, muitas vezes distante do local físico onde se encontra. Em determinados cursos poderá criar comunidades de aprendizagem, com grande interação e enfatizando a construção grupal do conhecimento. Em outros cursos lhe será pedido que interaja o mínimo por uma questão de diminuir custos, de padrão da instituição ou da coordenação. Em alguns cursos poderá pensar em vídeos, apresentações complexas e câmeras para visualizar e interagir com os alunos, como videochats, enquanto em outros receberá a orientação de não utilizar o chat por ser dispersivo ou de focar mais o texto impresso e utilizar a Internet como mídia complementar, pela dificuldade de acesso de uma parte significativa dos seus alunos. Ele precisa ter flexibilidade para adaptar-se a situações muito diferenciadas e ter sensibilidade para escolher as melhores soluções possíveis para cada momento.
O professor on-line está começando a aprender a trabalhar em situações muito diferentes: com poucos e muitos alunos, com mais ou menos encontros presenciais, com um processo personalizado (professor autor-gestor) ou mais despersonalizado (separação entre o autor e o gestor de aprendizagem). Quanto mais situações diferentes experimente, melhor estará preparado para vivenciar diferentes papéis, metodologias, projetos pedagógicos, muitos ainda em fase de experimentação.

Novas questões na educação on-line

Hoje temos questões pedagógicas novas que o avanço das tecnologias de comunicação nos colocam na educação on-line e sobre as quais ainda precisamos de avaliação mais cuidadosa.
É difícil definir uma metodologia adequada para cada tipo de curso on-line. É relativamente fácil aprender a gerenciar cursos on-line que reproduzem as condições da sala de aula convencional, os que têm um professor para uma média de 40 alunos e que começam e terminam em datas específicas. Neles transferimos para o virtual as concepções pedagógicas das aulas presenciais. Os professores centralizadores, que se colocam como os que conhecem, organizam o curso a partir de textos e atividades que reforcem o papel principal do professor; outros docentes que possuem uma visão mais participativa do processo educacional estimulam a criação de comunidades, a pesquisa em pequenos grupos, a produção individual e coletiva. Temos programas gratuitos  como o AulaNet ou o Teleduc que facilitam a colocação de textos, a organização de atividades no  ambiente virtual para professores e alunos sem muito conhecimento tecnológico prévio.
Como a educação a distância permite formar múltiplas turmas simultaneamente, o gerenciamento dessas situações novas exige planejamento, equipe pedagógica competente e multidisciplinar e a aprendizagem de metodologias e utilização de tecnologias ainda pouco conhecidos. Em educação on-line temos cursos que são, como no presencial, de aprendizagem de habilidades específicas, cursos de atualização profissional. Esses cursos podem ter uma proposta pedagógica mais “empacotada”, mais programada e podem admitir alunos a qualquer momento, sem data definida para começar e terminar.
Existem outros cursos que são de formação, normalmente de longa duração, como os de graduação. Neles, a organização pedagógica tem que ser muito mais cuidadosa. É importante criar classes que mantenham identidade ao longo do curso, que tenham seu professor responsável ao longo dos anos, e que equilibrem a transmissão de informação com atividades de pesquisa em grupo e individualmente, construindo o conhecimento de forma flexível e participativa.
Com o avanço da comunicação por satélite podemos abrir tele-salas em todo o Brasil ou em toda a América Latina simultaneamente. Uma mesma aula poderia estar sendo vista por milhares de alunos em centenas de tele-salas, ao vivo, e com alguma interação: perguntas por e-mail, por áudio-conferência ou por câmera remota podem ser feitas e o professor responder as que lhe pareçam mais relevantes. O professor pode fazer uma avaliação instantânea da compreensão da aprendizagem e ter um retorno imediato da porcentagem de alunos com dúvidas em determinados pontos da aula e pode rever esses pontos ao vivo para milhares de alunos.
Se tecnologicamente podemos colocar milhares de alunos simultaneamente, do ponto de vista pedagógico qual é o limite razoável para que o aluno aprenda?. Esta é uma situação que enfrentaremos cada vez com mais freqüência. Vários cursos de nível superior têm experiência em utilizar quatro salas de aula simultaneamente com até cinqüenta alunos em cada sala, com videoconferência multiponto ou salas de teleconferência com alguma interação em tempo real. Isso dá uma média de 180 a 200 alunos conectados simultaneamente. Pelas observações que tenho feito, me parece possível realizar um bom trabalho com esse número de pessoas, se houver um bom planejamento das aulas,  das atividades e uma boa comunicação do professor. Também é importante ter um monitor em cada sala para organizar os grupos locais, para preparar os alunos para alguma pesquisa inicial antes de uma aula expositiva, para organizar as questões e encaminhá-las para o professor na aula ao vivo e para complementar a interação posteriormente. É possível ampliar esse número de alunos em determinadas situações: por exemplo para aulas magnas com grandes especialistas e que depois poderão ser debatidas, adaptadas para grupos menores por professores assistentes e monitores.
Algumas instituições pensam a aula on-line por teleconferência como o único momento importante do processo de ensino-aprendizagem, replicando o conceito de aula que existe no presencial. Penso que uma das formas predominantes nestes próximos anos será a combinação de aulas por vídeo, teleconferência  ou pela Internet com atividades em pequenos grupos e individuais feitas antes e depois das aulas, parte on-line e parte off-line.
Estamos caminhando para um conjunto de situações de educação on-line plenamente audiovisuais. Caminhamos para processos de comunicação audiovisual, com possibilidade de forte interação, integrando o que de melhor conhecemos da televisão (qualidade da imagem, som, contar estórias, mostrar ao vivo) com o melhor da Internet (acesso a bancos de dados, pesquisa individual e grupal, desenvolvimento de projetos em conjunto, a distância, apresentação de resultados). Tudo isto exige uma pedagogia muito mais flexível, integradora e experimental diante de tantas situações novas que começamos a enfrentar. Não podemos confundir a educação on-line só com cursos pela Internet e somente pela Internet no modo texto.
Estamos aprendendo a desenvolver propostas pedagógicas diferentes para situações de aprendizagem diferentes. As instituições sérias, mesmo quando têm muitos alunos, encontrarão formas de organizá-los para que consigam aprender com qualidade. As instituições que só buscam o lucro, organizarão cursos prontos, com pouca interação e apoio, massificando o processo de ensino-aprendizagem, como acontece também no presencial.

Existem dificuldades sérias na aceitação da educação on-line. A primeira é o  peso da sala de aula. Desde sempre aprender está associado a ir a uma sala de aula e lá concentramos os esforços dos últimos séculos para o gerenciamento da relação entre ensinar e aprender. O modelo cultural e burocrático predominante nas organizações educacionais exerce também um peso avassalador na inércia frente a necessidade de inovar. Tudo é planejado ou decidido de cima para baixo. Os prédios, os currículos, a contratação de professores são feitos em função do atrelamento (muitas vezes, confinamento) a salas de aula.
Os professores aprenderam como alunos a relacionar-se com o modelo convencional de ensinar-aprender dentro de um espaço bem específico que é a escola e dentro dela a sala de aula. O papel principal que os professores assumem ainda é o de responsáveis por uma determinada área do conhecimento e insistem em utilizar predominantemente métodos expositivos com alguma (pouca) interação. Os alunos, por sua vez, estão acostumados a ficar ouvindo, em geral, passivos, o que os professores falam e esperam da universidade ou escola que lhes tragam em bandeja as informações prontas. Nas faculdades particulares é freqüente ouvir: “Eu pago, eu quero que me ensinem” e reclamam quando o professor exige mais pesquisa e trabalho em grupo.
Ambos, professores e alunos, constatam a inadequação desse modelo. Muitos intelectualmente sabem que precisam mudar. É freqüente o discurso da participação, da mudança, mas, na prática, no dia a dia, muitos ainda permanecem aferrados aos modelos tradicionais, até porque não existem muitas experiências inovadoras perto de onde eles lecionam. Por todos esses fatores, é difícil manter a motivação de forma permanente.
É difícil manter a motivação no presencial e muito mais no virtual, se não envolvermos os alunos em processos participativos, afetivos, que inspirem confiança. Os cursos que se limitam à transmissão de informação, de conteúdo, mesmo que esteja brilhantemente produzido, correm o risco da desmotivação a longo prazo e, principalmente, de que a aprendizagem seja só teórica, insuficiente para dar conta da relação teoria/prática. Em sala de aula, se estivermos atentos, podemos mais facilmente obter feedback dos problemas que acontecem e procurar dialogar ou encontrar novas estratégias pedagógicas. No virtual, o aluno está mais distante, normalmente só acessível por e-mail, que é frio, não imediato ou por um telefonema eventual, que é mais direto, mas num curso a distância encarece o custo final.
Com os processos convencionais de ensino e com a atual dispersão da atenção da vida urbana, fica muito difícil a autonomia, a organização pessoal, indispensável para os processos de aprendizagem a distância. O aluno desorganizado vai deixando passar o tempo adequado para cada atividade, discussão, produção e pode sentir dificuldade em acompanhar o ritmo de um curso. Isso atrapalha sua motivação, sua própria aprendizagem e a do grupo, o que cria tensão ou indiferença. Esses alunos pouco a pouco vão deixando de participar, de produzir e muitos têm dificuldade, a distância, em retomar a motivação, o entusiasmo pelo curso. No presencial, uma conversa dos colegas mais próximos, do professor, pode ajudar a voltar a participar do curso. Á distância é possível, mas não fácil.
A maior parte dos cursos presenciais e on-line continua focada no conteúdo, focada na informação, no professor, no aluno individualmente e na interação com o professor/tutor. Os cursos hoje – principalmente os de formação – convêm que sejam focados na construção do conhecimento e na interação; no equilíbrio entre o individual e o grupal, entre conteúdo e interação (aprendizagem cooperativa), um conteúdo em parte preparado e em parte construído ao longo do curso.

Existe hoje no Brasil uma grande variedade de cursos on-line: cursos com professor e sem professor; cursos para poucos e para muitos alunos, cursos com pouca interação e com muita interação, cursos centrados no professor e cursos centrados nos alunos; cursos unitecnológicos e outros com múltiplas tecnologias, cursos em parte presenciais e cursos totalmente a distância, cursos de formação e cursos de atualização. Para cada curso podemos formular estratégias de ensino-aprendizagem específicas.
Temos cursos totalmente presenciais que utilizam algumas ferramentas de pesquisa e/ou comunicação on-line para algumas atividades complementares. O foco principal é a sala de aula, mas o professor cria uma lista de comunicação por e-mail ou uma página WEB, ou abre um fórum para debates virtuais. Cada vez mais as disciplinas de cursos presenciais incorporam ferramentas e atividades virtuais. Se o curso presencial é participativo, o virtual amplia essa participação. Se o curso presencial é centrado no professor, as atividades virtuais podem diminuir um pouco esse foco, mas no essencial não o modificam.
Em cursos presenciais podemos ter disciplinas parcialmente a distância. Freqüentamos algumas aulas presenciais e as intercalamos com atividades virtuais. A proporção de presença e on-line pode variar de uma disciplina para outra. Em algumas podemos ter vinte por cento on-line, em outras metade e metade, enquanto outras podem ter oitenta por cento ou ser totalmente on-line.
Em cursos a distância ainda estamos influenciados pelos modelos tradicionais das grandes universidades como a Open da Inglaterra ou a UNED, da Espanha, que na década de oitenta e nova estavam muito centrados no conteúdo impresso, auto-instrucional, com apoio local. Algumas instituições brasileiras copiam hoje esse modelo, focando o material impresso ou digital. Criam cursos prontos, sem professor, com avaliação corrigida pelo próprio programa.
Outras instituições focam as tecnologias que multiplicam o conceito de aula presencial como a vídeo ou teleconferência. Vêem as aulas centradas no professor, com o poder de atingir mais alunos simultaneamente. Nestes últimos anos, com o avanço da Internet, começam a combinar aulas ao vivo por vídeo ou teleconferência com atividades off-line via Internet. O avanço maior foi na educação a distância on-line, no desenvolvimento de cursos pela Internet ou Intranet. Como a Internet combina a possibilidade de divulgar conteúdo com interação on e off-line a um custo menor, muitas universidades e empresas estão focando a educação a distância utilizando essa mídia preferencialmente.
Encontramos vários modelos de cursos pela Internet.
1) Cursos focados no conteúdo, conteúdo pronto e alguma interação via e-mail, listas ou fórum, que não ultrapassa vinte por cento da duração. São os predominantes até agora, porque são mais baratos e rentáveis. Desenvolveram-se mais até agora na área corporativa (cursos de e-learning, de treinamento on-line).
2) Cursos  que equilibram conteúdo e interação. Os professores preparam o conteúdo, que fica disponibilizado na Internet e depois desenvolvem atividades de pesquisa e comunicação com os alunos, o que toma aproximadamente metade do tempo do curso. Uma parte do conteúdo está pronta e outra é construída ao longo do seu desenvolvimento.
3) Cursos que focam mais a interação que o conteúdo, que se preocupam em formar comunidades de aprendizagem que constroem em conjunto o conhecimento e contribuem decisivamente para o sucesso do curso. No Brasil podemos citar, entre outros, como pioneira da educação on-line construtivista a Professora Lea Fagundes, do Laboratório de Estudos Cognitivos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul[7] e a equipe do programa de Pós-graduação em Informática na Educação da mesma universidade. Outro grupo importante na pesquisa e desenvolvimento de ambientes virtuais é o NIED – Núcleo de Informática Educativa - da Unicamp, coordenado pelo Professor Armando Valente[8] . Atualmente o Programa de Pós-Graduação em Educação e Currículo da PUC-SP está desenvolvendo um bom trabalho de pesquisa e realização de cursos on-line, principalmente na formação de professores[9] . Merece destaque também  a reflexão e prática do Prof. Wilson Azevedo no gerenciamento de cursos on-line de forma cooperativa[10] .
Entre os autores estrangeiros sobre educação on-line destaco  Robin Mason, professora do Institute of Educational Technology da Open University[11] e também Rena PALLOFF e  Keith PRATT pelo livro Construindo comunidades de aprendizagem no ciberespaço – Estratégias eficientes para salas de aula on-line[12] . Este texto resume a forma com que encaram a educação on-line:

“Uma comunidade de aprendizagem on-line é muito mais que apenas um instrutor interagindo mais com alunos e alunos interagindo mais entre si. É, na verdade, a criação de um espaço no qual alunos e docentes podem se conectar como iguais em um processo de aprendizagem, onde podem se conectar como seres humanos. Logo eles passam a se conhecer e a sentir que estão juntos em alguma coisa. Eles estão trabalhando com um fim comum, juntos”.[14]


Do ponto de vista didático, podemos valorizar o melhor  do presencial e o do virtual. O que fazemos melhor ou mais rapidamente quando estamos juntos numa sala de aula? É mais fácil conhecer-nos, criar laços, mapear os grupos, as pessoas. É mais fácil organizar o processo de ensino-aprendizagem, a seqüência de leituras, atividades, pesquisas individuais e de grupo, o cronograma, a metodologia. É mais fácil também que o professor ajude os alunos a ter as referências iniciais de um tema, o estado da arte de um assunto, os cenários de uma pesquisa.
Depois desses contatos pessoais, podemos ir ao virtual e aí aproveitar as vantagens que nos propicia. A flexibilidade de tempo e lugar para acessar. Cada um acessa o curso compatibilizando-o com as demais atividades pessoais e profissionais. Além dessa liberdade de organização e de acesso, podemos no virtual desenvolver atividades de pesquisa individual e em pequenos grupos. Cada grupo pode ter seu próprio espaço de comunicação para eventuais trocas de resultados, antes de divulgá-los para toda a classe. Podemos discutir alguns textos, fazer comentários num fórum ou em alguns momentos em um chat ou sala de bate-papo. Podemos tirar dúvidas com algum professor ou assistente sem ter que ir pessoalmente a um lugar. Podemos divulgar os resultados das pesquisas individuais e grupais em algum espaço da página do curso e aprendermos juntos. E depois podemos voltar a encontrar-nos fisicamente para aprofundar os resultados obtidos no virtual, fazer as sínteses possíveis e encaminhar uma nova etapa  de aprendizagem, sempre envolvendo os alunos, com prática, leitura e reflexão.
Não podemos perder de vista, a integração dos dois espaços – presencial e o virtual - e de fazer transições suaves entre ambos. Provavelmente necessitaremos de encontros mais freqüentes no começo de um curso e depois podemos espaçá-los à medida  que sintamos mais confiança, conhecimento das pessoas e dos procedimentos didáticos.
Diante desse perfil planejamos as atividades, as leituras, o formato do curso, as ações inovadoras e a integração das tecnologias. Selecionamos as ferramentas que vamos utilizar e as personalizamos. Colocamos a estrutura do curso, os temas principais, uma biblioteca virtual com os links principais comentados. Preparamos os textos básicos que vão sendo colocados conforme o andamento do curso. Consideramos importante planejar o curso como um todo e, ao mesmo tempo, estar atentos às situações concretas que se apresentam em cada grupo, para incorporar o que nos pareça mais válido, para valorizar as qualidades dos alunos, para interagir efetivamente ao longo do seu andamento.
Procuramos ter uma sala de aula o mais rica possível de tecnologias: computador e multimídia para apresentação e ponto de Internet para acesso on-line. Isso nos permite uma grande flexibilidade na passagem de um momento de apresentação de idéias, para outro de ilustração, de pesquisa, de contribuições dos alunos. Se um aluno conhece um texto ou site interessante, vai lá e o mostra diretamente à classe. Esse clima cordial e otimista contagia à maior parte dos alunos e os predispõe a colaborar mais, a dar o melhor de si.
Como uma parte do curso vai acontecer no ambiente virtual, mostramos esse ambiente ao vivo, onde estão os textos, o espaço de colaboração, o que facilita a navegação dos alunos depois.
É importante também orientar o processo de pesquisa, tanto do ponto de vista metodológico como tecnológico (como fazer pesquisa na Internet). Assim é mais simples realizar pesquisas orientadas, no virtual.
As primeiras aulas também podem ser utilizadas para organizar os alunos em equipes, em grupos de pesquisa, de projetos. Assim poderemos orientá-los melhor a distância.
Quando propomos flexibilizar o tempo presencial e virtual damos mais importância ao estarmos juntos. Nada supera a presença física. O virtual é um pálido reflexo das possibilidades de contato e intercâmbio que o presencial propicia e que exploramos pouco. O virtual é mais “cômodo”, facilita o acesso a distância, a comunicação em qualquer momento sem sair do nosso espaço profissional ou familiar. Mas é uma interação muito pobre comparada com a de estarmos juntos.
Como até agora a aprendizagem é feita basicamente de forma presencial, não lhe damos valor. Em cursos semi-presenciais, se demoramos muito para retornar à sala de aula, há uma expectativa maior pelo reencontro, um desejo de ver-nos, de estar juntos, de colocar em comum nossas impressões. A flexibilização curricular re-valorizará a importância de aproveitar os momentos de presença física.
Depois das primeiras aulas presenciais, podemos marcar uma primeira leitura virtual de um texto e o início da primeira pesquisa. Os alunos lêem o texto, colocam suas observações no fórum. Voltamos ao presencial, aprofundamos as questões que apareceram no fórum e vamos dando mais tempo para o virtual, vamos espaçando mais os encontros, de acordo com a maturidade da turma, com o tipo de assunto. Como orientação pode-se fazer a primeira aula virtual curta e depois manter uma relação de duas por uma: uma presencial e duas virtuais. No virtual pode-se manter uma parte do tempo ocupado em compreensão de textos fundamentais. Os resumos vão para o fórum. As questões principais são resumidas pelo professor e se marca um encontro virtual em tempo real (chat) para aprofundar algumas das questões do fórum. Os alunos fazem suas pesquisas sobre o mesmo tema, as colocam na página e as aprofundam no próximo encontro presencial.
Algumas atividades no chat são para tirar algumas dúvidas, onde quem quiser coloca alguma questão em relação ao texto projeto e o professor procura orientá-lo. Em outros momentos, organizamos grupos para discutir um tema bem específico dentro de cada sala de aula virtual, com a supervisão do professor.
Cada experiência virtual on-line tem o seu valor. Tirar dúvidas pode ser útil, se o grupo for disciplinado e não muito numeroso. Os nomes dos alunos e do professor aparecem em um canto da tela e todos sabem quem entra, sai ou permanece lá. Discutir um texto ou questão em pequenos grupos em salas virtuais é interessante. Corresponde à discussão feita em grupos numa sala de aula presencial. Através da lista de discussão ou fórum o professor organiza os grupos com seus coordenadores e salas respectivas e discutem o texto ou assunto indicado durante um tempo determinado. O professor navega pelas várias salas, acompanha a discussão, participa quando percebe que é conveniente. Essa conversa de cada grupo fica registrada para acesso posterior de qualquer aluno na hora que ele quiser. É importante que cada grupo faça uma síntese do que foi discutido para facilitar o próprio trabalho de aprendizagem e de quem acessar depois. Essa síntese pode ser colocada também no fórum para dar-lhe mais visibilidade.
É conveniente ter um assistente para acompanhar no gerenciamento do chat. A seqüência de perguntas e respostas é muito rápida. Ele se envolve mais com as respostas imediatas e o professor fica observando mais o ritmo, o movimento e faz rápidas sínteses ou colocações em menos momentos, mas significativos. Assim consegue-se perceber melhor o que está acontecendo, quando há dispersões desnecessárias ou quando ressaltar um aspecto que está sendo apresentado.
Como nem sempre é possível reunir os alunos em horários predeterminados, o professor pode organizar também discussões gerais ou grupais no fórum. É um espaço onde se podem criar tópicos de discussão e cada um escreve quando o considera conveniente. Há fóruns gerais, para todos e podem também ser organizados em grupos, para discutir assuntos específicos e facilitar a interação. Os fóruns de grupos podem ser abertos a todos ou só para cada equipe, dependendo do grupo e da atividade. O importante é que os grupos participem, se envolvam, discutam, saiam do isolamento, um dos grandes problemas da educação a distância até agora.
As ferramentas de comunicação virtual até agora são predominantemente escritas, caminhando para ser audiovisuais. Por enquanto escrevemos mensagens, respostas, simulamos uma comunicação falada. Esses chats e fóruns permitem contatos a distância, podem ser úteis, mas não podemos esperar que só assim aconteça uma grande revolução, automaticamente. Depende muito do professor, do grupo, da sua maturidade, sua motivação, do tempo disponível, da facilidade de acesso. Alguns alunos se comunicam bem no virtual, outros não. Alguns são rápidos na escrita e no raciocínio, outros não. Alguns tentam monopolizar as falas (como no presencial) outros ficam só como observadores. Por isso é importante modificar os coordenadores, incentivar os mais passivos e organizar a seqüência das discussões.
O ritmo do presencial-virtual depende de muitos fatores. Não se pode estabelecer a priori um padrão rígido. Cada professor encontrará o seu ponto ideal de equilíbrio e depende também do grau de maturidade e cooperação da classe. O importante é que prever uma espécie de aula-sanfona, que vai do presencial para o virtual e volta para o presencial de acordo com o ritmo do grupo.
Hoje a possibilidade que temos de troca no presencial é muito maior que no virtual (embora não aproveitemos, em geral, o seu potencial). Com o avanço da banda larga, ao ver-nos e ouvir-nos facilmente, recriaremos condições de presencialidade de forma mais próxima e sentiremos mais o contato com os outros, que estão em diversos lugares.
Pela avaliação feita com os alunos,  vale a pena utilizar ambientes virtuais como ampliação do espaço e tempo da sala de aula tradicional, mas não são uma panacéia para a aprendizagem nem substituem a necessidade de contatos presenciais periódicos. Equilibrando o presencial e o virtual podemos obter grandes resultados a um custo menor de deslocamento, perda de tempo, e de maior flexibilidade de gerenciamento da aprendizagem.
Educar em ambientes virtuais exige mais dedicação do professor, mais apoio de uma equipe técnico-pedagógica, mais tempo de preparação – ao menos nesta primeira fase - e principalmente de acompanhamento, mas para os alunos há um ganho grande de personalização da aprendizagem, de adaptação ao seu ritmo de vida, principalmente na fase adulta.
Com o aumento do acesso dos alunos à Internet, poderemos flexibilizar bem mais o currículo, combinando momentos de encontro numa sala de aula com outros de aprendizagem individual e grupal. Aprender a ensinar e a aprender, integrando ambientes presenciais e virtuais, é um dos grandes desafios que estamos enfrentando atualmente na educação no mundo inteiro.
É importante neste processo dinâmico de aprender pesquisando, utilizar todos os recursos, todas as técnicas possíveis por cada professor, por cada instituição, por cada classe: integrar as dinâmicas tradicionais com as inovadoras, a escrita com o audiovisual, o texto seqüencial com o hipertexto, o encontro presencial com o virtual.
O que muda no papel do professor? Muda a relação de espaço, tempo e comunicação com os alunos. O espaço de trocas se estende da sala de aula para o virtual. O tempo de enviar ou receber informações se amplia para qualquer dia da semana. O processo de comunicação se dá na sala de aula, na Internet, no e-mail, no chat. É um papel que combina alguns momentos do professor convencional - às vezes é importante dar uma bela aula expositiva – com um papel muito mais destacado de gerente de pesquisa, de estimulador de busca, de coordenador dos resultados. É um papel de animação e coordenação muito mais flexível e constante, que exige muita atenção, sensibilidade, intuição (radar ligado) e domínio tecnológico.
Cada curso, cada professor vai fazer isso de forma semelhante e ao mesmo diferente. Não podemos padronizar e impor um modelo único da educação on-line. Cada área do conhecimento precisa mais ou menos do presencial. É importante experimentar, avaliar e avançar até termos segurança do ponto de equilíbrio na gestão do virtual e do presencial e de caminhar para ampliar as propostas pedagógicas mais adequadas para cada situação de ensino-aprendizagem on-line.
Todas as universidades e organizações educacionais, em todos os níveis, precisam experimentar como integrar o presencial e o virtual, garantindo a aprendizagem significativa. Precisamos vivenciar uma nova pedagogia do presencial e do virtual. Não temos muitas referências anteriores que transitem pelo presencial e pelo virtual de forma integrada. Até agora temos ou cursos em sala de aula ou cursos a distância, criados e gerenciados por grupos em núcleos específicos, pouco próximos da educação presencial. É importante que os núcleos de educação a distância das universidades saiam do seu isolamento e se aproximem dos departamentos e grupos de professores interessados em flexibilizar suas aulas, que facilitem o trânsito entre o presencial e o virtual.

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Ramal, Andrea. Educação na Cibercultura: hipertextualidade, leitura e escrita na aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2002.
SILVA, Marco. Sala de aula interativa. Rio de Janeiro: Quartet Editora, 2000.
VALENTE, José Armando. Diferentes abordagens de educação a distância. Disponível em: <www.proinfo.mec.gov.br/biblioteca/textos>. Acesso em: 10/12/2002.


[1] Curso de Pedagogia nas séries iniciais para professores em serviço da rede pública do Estado de São Paulo, que teve a duração de dois anos: 2001-2002
[2] Denomino a comunicação em tempo real de on-line e a de tempos diferentes de off-line.

[3] A teleconferência é uma comunicação audiovisual, normalmente por satélite, que tem um centro produtor de imagem e som e muitos possíveis centros de recepção (telesalas) que permitem algum retorno (e-mail, fax, telefone ou áudio). A videoconferência tem mais de um centro produtor. Podem ser vistos os alunos de uma ou várias salas. A videoconferência entre duas salas chama-se ponto a ponto. A videoconferência com várias salas se denomina multiponto.
[4] Existem cursos hoje que atingem centenas de alunos simultaneamente em muitas telesalas e onde os alunos podem fazer perguntas ou participar de uma avaliação instantânea de compreensão de conceitos ou de uma parte da exposição de um professor.
[5] Broadcast é uma transmissão via televisão fundamentalmente. Com a televisão digital cobra uma importância muito maior para a educação, porque combina a qualidade da imagem e som (da TV ou DVD) com a interação e navegação que fazemos na Internet.
[6] Veja os conceitos de on-line e off-line na nota 2.

[9] Os artigos e palestras principais do Prof. Wilson Azevedo estão em www.aquifolium.com.br/educacional/artigos/

[13] PALLOFF, Rena M. & PRATT, Keith. Construindo comunidades de aprendizagem no ciberespaço – Estratégias eficientes para salas de aula on-line. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002
PALLOFF, Rena M. & PRATT, Keith. Construindo comunidades de aprendizagem no ciberespaço – Estratégias eficientes para salas de aula on-line. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.
Disponível em http://www.eca.usp.br/prof/moran/contrib.htm. Acessado em 21/04/2013.