domingo, 8 de dezembro de 2013

DESCRIÇÃO E AUDIODESCRIÇÃO

No Brasil, a primeira peça comercial a contar com o recurso da audiodescrição foi "O Andaime", no Teatro Vivo, em março de 2007. O primeiro filme, "Irmãos de Fé", do Padre Marcelo Rossi em 2005. E a Natura marcou presença como sendo a primeira empresa a veicular um comercial com audiodescrição na TV aberta, em 2006. Apesar dessas tentativas isoladas e que têm ganhado força ao longo dos anos, a audiodescrição na programação já é prevista desde 2004, por força do decreto nº 5296, que regulamenta a lei que estabelece as normas de acessibilidade. Em 2006, as medidas para disponibilização da audiodescrição foi regulamentada pela portaria nº 310 do Ministério das Comunicações. Essas regras foram suspensas em 2008 e retomadas a partir de 2010, com a Portaria nº 188/2010, que determina a veiculação de duas horas por semana de programação com audiodescrição a partir de 1º de julho de 2011, e ampliando esse tempo de exibição gradativamente. Estamos em contagem regressiva para tal efetivação. 
Em ambientes educativos, a audiodescrição como ferramenta pedagógica tem por finalidades o acesso a materiais bibliográficos, ao currículo e a conteúdos escolares ao mesmo tempo em que o restante da turma. Informar disposição do mobiliário, da planta baixa da escola, de objetos, dos espaços de recreação ou de uso comum. Atentar para o trabalho colaborativo em descrição de filmes, slides, mapas, tabelas, fotografias, gráficos, mostras, eventos e exposições no ambiente escolar, entre outros.
Desta forma podemos considerar que audiodescrição é recurso para a acessibilidade e que significa que “Se você não vê, poderá ouvir; Se você não ouve, poderá ler; e Se você não lê, poderá compreender”. O audiodescritor, portanto, será a ponte entre a imagem não vista e a imagem construída por meio de referências sonoras, conduzidas e esculpidas na imaginação de quem as ouve.


A audiodescrição de uma imagem:

O violeiro



"O Violeiro" (1899)
Óleo sobre Tela
José Ferraz de Almeida Junior (1850-1899)

Notas Proêmias: Reconhecido por pintar pessoas simples do cotidiano do interior de São Paulo José Ferraz de Almeida Junior (1850-1899), ilustra a capa do volume II da Revista Brasileira de Tradução Visual, tanto como homenagem aquele pintor, quanto como um exemplo de áudio-descrição aplicada às imagens estáticas. Para conhecer mais a respeito desse artista e de muitos outros, visite a pinacoteca do estado de São Paulo ou acesse o site da Pinacoteca.

Áudio-Descrição: Sentado no batente de uma janela de uma casa de sapê um homem branco toca viola. Do batente para cima a parede está rebocada e pintada com cor amarela. Do batente para baixo vê-se estrutura de barro e madeira comum as casas de pau-a-pique. O violeiro está com as costas apoiada no umbral esquerdo da janela, usa um chapéu marrom cuja parte frontal da aba esta dobrada para cima enquanto a atrás, a aba esta dobrada para baixo. Ele veste uma camisa xadrez em tons de cinza e branco e calça clara.  Do lado de fora da casa, em pé, uma mulher está encostada no umbral direito da janela. A mulher, com cabelo preto preso em coque, está com o rosto olhando para a direita, em direção às mãos do violeiro. Ela esta com os lábios entreabertos. A mulher veste uma blusa vermelha comprida que cobre parte de uma saia marrom. A blusa tem bolinhas brancas e mangas largas e longas cobrindo a metade do antebraço. Ao pescoço, a mulher trás um lenço branco com listras vermelhas. Com a mão direita segura uma extremidade do lenço e com a outra, segura a extremidade esquerda. 

Fonte: Revista Brasileira de Tradução Visual, volume 02, 2010. 
http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br/index.php/principal/article/view/31/29

A presente imagem retrata a vida nos sertões, como as pessoas de vida simples, se vestiam, tinham uma vida pacata e humilde. Com esta imagem é possível trabalhar o estilo de vida das pessoas de antigamente comparando com as de hoje, o que tem de mudanças, a vida no sertão e a vida nas grandes cidades. Explorar as palavras desconhecidas buscando seu significado no contexto da fala.



Veja um exemplo de descrição com tirinhas para os alunos cegos ou com baixa visão:
Legenda: tira cômica, sem título, com a personagem argentina Mafalda, do cartunista Quino.

Descrição: a tirinha colorida, com 4 quadros, mostra Mafalda, uma menininha de aproximadamente 7 anos, com blusa vermelha de gola branca, laço vermelho no cabelo preto com franja, lendo um livro, que está sobre uma mesa redonda. Suas falas estão dentro de balões.

Q1: Mafalda debruçada sobre o livro, com a mão segurando o rosto, lê: Ema vê a mesa da sala de estar.
Q2: Mafalda vira-se para o lado e pergunta: Mamãe, o que é sala de estar?
Q3: Sentada à mesa, com as mãos sobre o livro, ela escuta a resposta: É living. Ela responde: Ah, bom!
Q4: Mafalda, com a testa franzida e debruçada sobre o livro e a mão segurando o rosto, reclama: Afinal, por que eles não escrevem esses livros na língua da gente?

Tirinha disponível em: 
BRASIL. Nota Técnica, Nº 21. Orientações para descrição de imagem na geração de material digital acessível - Mecdaisy. MEC/SECADI/DPEE, 2012. Disponível em:http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=10538&Itemid=. 
por luzivete viana - adaptado por Blog da Audiodescrição   Fonte: AEE 2013

Um comentário:

  1. Amei suas indicações de trabalho com audiodescrição. As oportunidades de entendimento das obras de arte através da audiodescrição se ampliam também para os videntes. Coincidentemente postamos a mesma atividade em relação às tirinhas. Gosto muito de trabalhar com este gênero textual. Parabéns.

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